NR abrangerá problemas de saúde mental ocasionados pelo trabalho

Uma nova Norma Regulamentadora (NR) pode surgir nos próximos meses. Já está em tramitação na Câmara dos Deputados o projeto de lei que cria medidas de prevenção e gestão de riscos no ambiente de trabalho que podem afetar a saúde mental dos trabalhadores, os chamados riscos psicossociais.

Dentre as justificativas para o projeto, de autoria do deputado Alexandre Padilha, está o fato de que mesmo estando entre as doenças que mais causam afastamentos, as doenças e transtornos mentais que têm como causa o ambiente de trabalho ainda não dispõem de uma norma técnica específica que trate do assunto.

“Vários estudos científicos abordam a questão dos riscos psicossociais nos diversos segmentos de atuação. Todavia, é evidente a ausência de medidas reguladoras de enfrentamento e intervenção, capazes de minimizar os riscos e danos causados, muitas vezes por desconhecimento, gestão e até negligência do empregador”, justifica o deputado, segundo a Agência Câmara de Notícias.

Agora o projeto continua nos trâmites para aprovação da Câmera e depois segue para a avaliação do Presidente da República.

RISCOS REAIS

Cargas de trabalho excessivas, falta de clareza na definição das funções, má gestão de mudanças organizacionais e assédio. Infelizmente essas são realidades de muitas empresas e são, segundo a Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, as razões principais que levam os trabalhadores a desenvolverem doenças e transtornos mentais.

Para se ter uma ideia, há mais de 40 mil afastamentos por causa de depressão no Brasil todos os anos. Isso sem contar casos relacionados a transtornos de ansiedade, que tem gerado cerca de 30 mil casos de afastamento.

 

SÍNDROME DE BURNOUT

Já que o assunto são as doenças causadas pelo estresse no ambiente de trabalho, vamos falar sobre um problema que tem se tornado cada vez mais comum e que é ocasionada especificamente por estresse no ambiente de trabalho é a Síndrome de Burnout.

Síndrome de Burnout ou “Síndrome do Esgotamento Profissional” é um estado de total exaustão física, emocional e mental, resultado de muita pressão, competitividade ou carga horária excessiva de trabalho, e que vem atingindo cada vez mais brasileiros. Estatísticas indicam que cerca de 30% dos trabalhadores do país sofrem com a doença.

Até um tempo atrás, este era um problema exclusivo de algumas profissões, como assistentes sociais, policiais, professores e enfermeiros. Mas a pressão por resultados e o mercado de trabalho cada vez mais competitivo e dinâmico fez com que profissionais de praticamente todas as áreas estivessem sujeitos a sofrer deste mal.

SINTOMAS

Os sintomas da Síndrome de Burnout variam de pessoa a pessoa, inclusive na questão da intensidade, mas os mais comuns são:

> Cansaço excessivo, físico e mental (sensação de esgotamento)

> Insônia e dificuldade para relaxar

> Alterações no apetite

> Sentimentos de fracasso principalmente com relação ao trabalho, e sensação de incompetência profissional

> Negatividade constante

> Alterações repentinas de humor

> Sensação de insegurança

> Dificuldades de concentração

> Sentimentos de derrota e isolamento

> Pressão alta

> Dores musculares e problemas gastrointestinais

> Alteração nos batimentos cardíacos

 DIAGNÓSTICO

Eis um problema grave para quem sofre da Síndrome de Burnout: reconhecer que tem a doença. Por estarem ligados no “220w”, esses trabalhadores tendem a tratar esses sintomas de forma isolada. 

Por isso, assim que perceber os sintomas acima ou se algum colega de trabalho ou familiar apresentar esses sinais, um profissional de saúde deve ser procurado para que ele possa fazer uma avaliação e identificar a síndrome.

IMPORTANTE: o diagnóstico precoce é de grande importância, uma vez que se nada for feito os sintomas irão se intensificar.

TRATAMENTO

O tratamento da Síndrome de Burnout irá depender da análise do profissional e da intensidade dos sintomas. Geralmente, são indicadas psicoterapias e, em alguns casos, o uso de antidepressivos e/ou ansiolíticos.

Mas é importante ficar claro que é preciso repensar os hábitos e tomar atitudes para reverter esse quadro e evitar o agravamento da doença.

ALGUMAS DICAS

>Fazer atividades que fujam da sua rotina diária (principalmente aquelas envolvendo família e amigos)

>Se desligar das redes sociais por um tempo depois do trabalho (nada de checar e-mails depois hora, por exemplo)

> Fazer atividades físicas diárias – pode ser andar de bike, natação, caminhadas, etc.

> DESLIGAR-SE: não adianta colocar sobre suas costas um peso que você não irá suportar. Ao encerrar o expediente, desligue-se totalmente do trabalho para recuperar as energias.

> Cuidado com o álcool e o cigarro – geralmente as pessoas com esse problema acabam sendo compulsivas – mas isso só tende a piorar a situação.

> Evite o contato com pessoas negativas, principalmente aquelas que passam a vida reclamando da vida. 

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