90% dos suicídios poderiam ser evitados: saiba mais sobre o assunto

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Mariana, 11 anos… Para os pais, que trabalhavam fora e não eram de muito diálogo com a filha, ela era uma criança como todas as outras: frequentava a escola de manhã e o restante do dia ficava presa ao celular – “talvez falando com os amigos, estudando, jogando e ouvindo música”… Era o que sabiam ou pensavam que sabiam a respeito da filha. Até que ao chegarem em casa, no final da tarde de uma sexta-feira, e encontraram Mariana já sem vida: ela havia se suicidado.

Assim como Mariana, um número cada vez maior de crianças e jovens cometem suicídio diariamente no Brasil – tanto que esta é uma das principais causas de morte entre garotos e garotas de 10 a 14 anos, segundo a Organização Mundial de Saúde. No caso dos mais velhos, de 14 a 18 anos, o suicídio está entre as três principais causas de morte.

No total, são mais de 30 brasileiros que se suicidam diariamente – chegando a mais de 11 mil casos no ano (sem contar aqueles que tentam o suicídio, mas são socorridos a tempo). Esses números colocam o suicídio à frente de mortes causadas por várias doenças, como a AIDS, por exemplo (veja no quadro os estados com maiores índices de suicídio)

A situação se torna ainda mais complexa e preocupante que nos damos conta de que o próprio Ministério da Saúde reconhece que os números podem ser até 20% maiores.

Mas se por um lado quase 100% dos suicídios poderiam ser evitados se medidas preventivas fossem adotadas, por outro, a falta de conhecimento e atenção sobre o assunto só faz o número de mortes aumentar.

Diante desse quadro, a VÉRTICE MEDICINA DO TRABALHO traz para os pais, demais familiares, amigos e profissionais que lidam com jovens e crianças informações para que todos saibam identificar e tomar as providencia preventivas necessárias.

medicina-do-trabalho-saude-seguranca-vertice-mariliaOs profissionais da área da saúde indicam que mais de 90% dos suicídios poderiam ser evitados por meio da prevenção. O psicólogo Lucas Caversan explica que pessoas com predisposição ao suicídio apresentam sinais que podem e devem ser identificados.

“Não apenas os jovens, mas quaisquer pessoas que se encontrem em um quadro de tendência suicida geralmente pensam, falam ou escrevem sobre o suicídio e seus plano de ação pra tirar a própria vida. Isso é o que chamamos de ideação suicida”, explica o psicólogo, que destaca ainda outros sinais que podem indicar um comportamento suicida. 

“Podemos perceber aumento no consumo de drogas ilícitas ou álcool, além de sentimentos de desesperança e falta de propósito, ansiedade, depressão, agitação e problemas no sono, isolamento social, raiva, imprudência ou impulsividade, e claro, fortes dores físicas e psicológicas”, afirma.

           MEDICINA-DO-TRABALHO-MARILIACAUSAS PARA O SUICÍDIO DE JOVENS 

Questionado sobre o que leva uma pessoa a tirar a própria vida, o psicólogo destaca que há vários fatores que podem levar alguém a um comportamento suicida, e que somente um profissional pode avaliar, durante o tratamento, quais as reais causas por de trás deste comportamento.

Alguns fatores que podem levar ao suicídio:

  1. Depressão

Além de transformações no corpo e de alterações hormonais, a pré-adolescência é um período propício para o surgimento de crises de identidade e problemas que podem ser graves, como a depressão.

Tanto que um estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul constatou que 2/3 dos suicídios nessa faixa etária são cometidos por jovens deprimidos.

O diagnóstico e o tratamento da depressão só podem ser feitos por um psicólogo e/ou um psiquiatra, mas é fundamental ficar atentos a sinais como:

  • Alterações de humor
  • Isolamento constante
  • Falta de interesse nas atividades comuns do dia a dia
  • Tristeza
  • Insônia
  • Dificuldade de concentração
  • Perda ou ganho de peso
  1. Tentativas de suicídio

Quase metade das pessoas que cometeram suicídio já havia tentado tirar a própria vida anteriormente. Portanto, um jovem que tentou uma vez terá de cinco a seis vezes mais chances de tentar o suicídio novamente.

Assim, nesses casos de antecedentes, é preciso redobrar a atenção e os cuidados com a terapia e tratamentos psiquiátricos, sendo que a alta médica só poderá ser dada por esses profissionais.

  1. Drogas e álcool

Um estudo realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo comprovou a ligação entre o suicídio e o consumo de álcool ou outras drogas ilícitas. De 1,7 mil casos de suicídios registrados na cidade de São Paulo, mais de 30% das vítimas apresentavam diferentes concentrações de teor alcoólico no sangue.

Ou seja, o uso de álcool ou outra droga ilícita por pessoas que apresentam algum fator de risco, como a depressão, aumenta e muito a probabilidade de um comportamento suicida.

  1. Jogos e redes que incitam o suicídio

Com certeza você já deve ter ouvido falar de jogos e comunidades virtuais que estimulam a prática do suicídio entre os jovens. Depois de várias mortes estimuladas pelo “jogo” Baleia Azul, outros surgiram, como o “Momo”, e mais uma quantidade incontável de sites, blogs e grupos de redes sociais que acabam influenciando direta ou indiretamente crianças e jovens – principalmente, é claro, aquelas que já apresentam doenças, como a depressão.

No caso das crianças, os pais devem sim saber o que os filhos estão acessando, com quem estão se relacionando e fazer um monitoramento de perto da vida virtual dos pequenos.

Já com adolescentes e jovens, é preciso respeitar a privacidade, porém, sempre conversando abertamente e monitorando o que eles fazem na internet, principalmente saber quais grupos fazem parte e o teor das postagens porque elas dizem muito sobre a personalidade das pessoas.

 

O QUE OS PAIS E AMIGOS DEVEM FAZER

Como deu pra perceber até agora, os pais, demais familiares, amigos e profissionais que lidam com jovens e crianças têm papel fundamental tanto na identificação de problemas que possam levar a comportamentos suicidas, como também para ajudar esses jovens a passar por isso.

Ao falar com alguém que passa por esses problemas, o psicólogo Lucas ensina que a principal regra é não tentar minimizar o fato. “Dizer pra uma pessoa que está passando por um sofrimento dessa natureza frases do tipo ‘isso não é nada’, ‘é frescura’, ‘há gente passando por coisas piores’, ‘você tem tudo o que quer’, etc., não apresenta bons resultados, muito pelo contrário, pode agravar ainda mais a situação”.

  • ACOLHIMENTO: Para o psicólogo, a palavra de ordem é acolhimento. “O principal trabalho é o de acolher a pessoa com tendência suicida, buscando ouvir com atenção, compreender seus sentimentos e pensamentos, se colocando como alguém que está lá pra ajudá-la independente das circunstâncias”, explica.

A segunda dica, segundo o profissional, é a necessidade de buscar ajuda psicológica. “Não se pode tratar como uma simples ‘fase’ e achar que isso irá passar com o tempo. É preciso sim que um profissional de saúde faça uma avaliação a respeito de cada caso”, ensina Lucas.

  • TRATAMENTO: O psicólogo explica que como as causas para o comportamento suicida são variadas, torna-se difícil especificar um único tratamento e a consequentemente a cura.

“O suicídio faz parte de um complexo maior, agindo mais como um sintoma do que como a doença em si, e é por isso que se tratado o problema (a causa), naturalmente a tendência suicida tenderá a diminuir. A psicoterapia tem sido o tratamento mais indicado pra essa questão justamente porque serão trabalhados os gatilhos relacionados à ideação suicida e as habilidades necessárias para se enfrentar situações semelhantes”.

 

Confira este vídeo sobre o tema, com o filósofo Mario Cortella. 

 

AJUDA: O CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo de graça todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, e-mail e chat 24 horas todos os dias. O site é www.cvv.org.br.

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